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História

Segundo Rui Carita (2014), em 1420, João Gonçalves Zarco chegou, pela primeira vez, ao Funchal, deixando os batéis ancorados próximo de dois ilhéus que fechavam, a Poente, a baía.

Na zona dos Ilhéus, viria a ser tomada por Zarco para a sua família, uma extensa porção do Funchal entre a Ribeira de São João e o Ribeiro Seco e onde se cultivava sobretudo cereais e vinha.

Na foz da Ribeira, Zarco construiu a sua residência, uma grande casa em madeira que veio a ser destruída por um fogo de desmatamento dos bosques em redor para a agricultura. A família mudou-se para o lugar onde está, hoje, o Museu da Quinta das Cruzes.

Uma parte da propriedade dos Ilhéus foi doada ao Mosteiro de Santa Clara, mas o restante continuou afecto à linhagem de Zarco e seus herdeiros directos – os Condes da Calheta e dos Marqueses de Castelo Melhor – até ao século XIX, ficando sob a responsabilidade de várias outras famílias da aristocracia de província que o aforavam em nome dessa aristocracia de corte, que eram os Gonçalves da Câmara.

No lado Jusante da propriedade D. Constança Rodrigues mandou erguer uma capela dedicada Santa Catarina. A rodeá-la, estavam também 6 casas que foram arrendadas, para benefício de umas senhoras recolhidas e do eremitão da Capela, a um moço-fidalgo da Casa de D. Diogo, Duque de Viseu e Beja, Senhor da Madeira e irmão da Rainha D. Leonor e do futuro Rei D. Manuel I.

Diogo da Costa de Quental, cavaleiro da Ordem de Cristo, e sua mulher, D. Mécia de Vasconcelos, mandaram erguer, em 1622, a primitiva Capela de Nossa Senhora das Angústias e das Almas. Diogo da Costa de Quental chegou a participar activamente na restauração da Independência, contribuindo generosamente para as despesas da guerra com Castela.

A capela e a quinta foram beneficiadas por uma outra dama ilustre da história nacional, entre de 1760 e 1770, D. Guiomar Madalena. D. Guiomar Madalena controlou o mercado de vinho da Madeira, no século XVIII, exportando bem mais de metade dos barris produzidos e agregando dezenas de morgadios no arquipélago e noutras regiões de Portugal, sendo as Angústias um deles. Sendo um dos seus locais preferidos, usava a quinta como propriedade de vilegiatura (temporada no campo), chegando a falecer nela.

No século XIX, a Quinta das Angústias foi sofrendo alterações, reduzindo o seu espaço progressivamente, por doação do Conde de Carvalhal à Câmara, para instalação do Cemitério da Misericórdia e, posteriormente, Municipal. Só nos anos 1940 surgiria o Parque de Santa Catarina.

Pela Quinta das Angústias passaram vários nomes da história mundial, como o Duque Maximiliano de Leuchtenberg (cunhado do Czar da Rússia), a Imperatriz-Viúva do Brasil, D. Amélia de Beauharnais, (irmã de Maximiliano), a Princesa D. Maria Amélia de Bragança (filha de D. Amélia), o Conde Alexandre Carlos de Lambert (general de cavalaria e ajudante-de-campo do Czar Alexandre II da Rússia), que mudou o nome da quinta para Quinta Lambert, e a Rainha Adelaide do Reino Unido.

Já no século XX, nela funcionou o Conservatório, que, em 1981, foi mudado para o antigo Hotel Nova Avenida, onde hoje se encontra. A Quinta entrou em obras para receber a Presidência do Governo Regional, até aos nossos dias.

Em 1982, Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional, assinou a Resolução n.º444/82, de 3 de Junho, a qual determinou que a denominada Quinta Lambert ou Quinta das Angústias passasse a receber, oficialmente, a designação de Quinta Vigia, visando “recuperar uma toponímia da antiga tradição de um espaço verde madeirense, em tempos desaparecido para dar lugar ao actual complexo do Casino”. A original Quinta da Vigia ou Quinta Davies, vizinha da das Angústias, ficou famosa por nela ter habitado Sissi, por alguns meses.

Visitas

A visita guiada é o acompanhamento informativo, por guias credenciados dos nossos serviços, a um grupo de visitantes e acontecem quinzenalmente, à terça-feira, pelas 16h00, possuindo uma duração de 1 hora.

A visita pode ser realizada em Português, em Inglês, em Francês, em Alemão e em Espanhol, podendo ser podendo ser agendadas na loja Naturalmente Português (no piso 1 do La Vie), na Gaudeamus – Loja Académica da AAUMa – (Rua dos Ferreiros, Reitoria da UMa), pelo telefone 291 705 060 ou através do e-mail visit@aauma.pt.

Circuito

A visita à Quinta Vigia inicia-se com uma contextualização histórica das suas edificações e dos próprios jardins.

A visita à Capela de Nossa Senhora da Angústias permitirá conhecer alguma da melhor produção regional e nacional em arte sacra dos séculos XVII e XVII, com a apreciação de talhas douradas e policromadas, de pinturas, de esculturas e de azulejaria. Serão abordados alguns aspectos de temática religiosa, mostrando um pouco da cultura do povo português.

No palacete que alberga a Presidência do Governo Regional, o visitante poderá admirar uma bonita colecção de móveis e de arte dos últimos 200 anos.

Na subida para o primeiro andar, encontrará uma reprodução do retrato de D. Catarina Henriqueta de Bragança, Infanta de Portugal e Rainha de Inglaterra e da Escócia, a quem a Madeira foi cedida como dote de casamento, voltando, mais tarde, à Coroa Portuguesa.

No piso superior encontram-se dois grandes salões contíguos decorados com peças de proveniência diversas, como seja o mobiliário inglês do século XVIII estilo Chippendale, pratos estilo Nuremberga, serviços de porcelana chinesa, entre outros, formando um verdadeiro cenário romântico.

No lado Sul, as portas abrem-se para uma varanda sobre o jardim, decorada por mobiliário em cestaria da Ilha, e com painéis de azulejos neoclássicos portugueses, motivados nas fábulas de La Fontaine.

Os jardins têm muitas plantas exóticas e locais, um empedrado oitocentista tipicamente madeirense, estatuária romântica e várias aves e peixes.

Virado ao mar, junto à casinha de prazer, encontra-se o Mirante de Dona Guiomar, de onde se avista a baía do Funchal e da baixa da cidade.

Imagens


Contactos

Visita, à terça-feira às 16:00.

O ingresso pode ser adquirido na loja Naturalmente Português (no piso 1 do La Vie Shopping Center), na loja Gaudeamus (Rua dos Ferreiros, Reitoria da UMa), pelo telefone 291 705 060 ou através do e-mail visit@aauma.pt.